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Quando a empresa consegue responder “temos uma empresa que coleta nossos resíduos”, existe a sensação de que o assunto está resolvido. Na prática, a coleta é apenas uma etapa.

 

A gestão de resíduos precisa demonstrar o que é gerado, como é classificado, onde fica armazenado, quem transporta, quem recebe, qual tratamento ou destinação é realizada e quais documentos comprovam cada movimentação. 

 

Essa rastreabilidade é especialmente importante na indústria, onde diferentes processos podem gerar resíduos com características, riscos e exigências distintas. Uma falha documental ou operacional pode aparecer em auditorias, fiscalizações, renovações de licença ou na homologação de fornecedores. 

 

1. O inventário de resíduos não representa mais a operação 

PGRS, planilhas e cadastros podem permanecer iguais por anos enquanto o processo muda. Novas matérias-primas, produtos, linhas, manutenções e tratamentos geram resíduos diferentes. Revise periodicamente quais resíduos existem, origem, classificação, quantidade, acondicionamento e destino. Um documento antigo não protege uma operação que já mudou. 

 

2. Segregação e armazenamento são tratados apenas como organização do pátio 

Misturar resíduos incompatíveis, utilizar recipientes inadequados, manter identificação incompleta ou armazenar em área sem contenção e proteção suficientes pode gerar risco ambiental e também comprometer a destinação. O local de armazenamento precisa ser coerente com as características dos resíduos e com os requisitos aplicáveis à instalação. 

 

3. MTR é emitido, mas os dados não são conferidos 

No Estado de São Paulo, o SIGOR - Módulo MTR é utilizado para o controle de movimentações de resíduos. O sistema envolve geradores, transportadores, destinadores e armazenadores temporários e permite a emissão e gestão de documentos como MTR, DMR e CDF. Emitir o documento sem conferir resíduo, quantidade, transportador, destinador e demais informações pode criar uma rastreabilidade formalmente existente, porém tecnicamente inconsistente. 

 

4. CADRI e outras autorizações são assumidos como “documentos do fornecedor” 

Quando aplicável, o gerador precisa verificar se a destinação está coberta pelos documentos exigidos. O manual do SIGOR-MTR da CETESB esclarece, por exemplo, a integração de informações de CADRI para resíduos de interesse ambiental. Não basta receber um PDF do prestador: é necessário confirmar validade, resíduo, gerador, destinador e escopo. 

 

5. Transportador e destinador não são reavaliados 

A situação regulatória de um fornecedor pode mudar. Licença vencida, atividade não abrangida, alteração de endereço ou mudança de rota de destinação podem afetar a cadeia. Crie uma rotina para verificar documentos antes da contratação e em periodicidade definida, guardando as evidências dessa qualificação. 

 

6. O CDF é arquivado sem reconciliação com o que saiu da empresa 

Certificados e comprovantes precisam fechar o ciclo iniciado na geração. Compare MTR, pesagens, notas, CDFs e controles internos. Diferenças recorrentes de quantidade, resíduos sem certificado final ou movimentações que permanecem abertas devem ser investigadas. Um bom controle permite responder quanto foi gerado, para onde foi e o que aconteceu depois. 

 

7. O PGRS existe, mas não orienta a rotina 

Um PGRS não deveria ser apenas um documento preparado para uma exigência. Ele precisa conversar com a operação: pontos de geração, responsabilidades, segregação, armazenamento, movimentação, destinação, contingências e registros. Quando o plano e a realidade se afastam, a empresa passa a operar por conhecimento informal. 

 

8. A empresa controla conformidade, mas não usa os dados para reduzir custo e risco 

Depois que a rastreabilidade está segura, os próprios dados de resíduos revelam oportunidades. Aumento de geração pode indicar perda de processo; mistura de materiais pode impedir reciclagem; frequência de coleta pode estar mal dimensionada; embalagens ou matérias-primas podem ser revistas. Gestão de resíduos madura combina conformidade com eficiência operacional. 

 

Como estruturar um controle mínimo que realmente funciona 

 

Uma estrutura simples pode consolidar: resíduo, código/classificação, origem, característica, recipiente, área de armazenamento, quantidade gerada, transportador, destinador, licença/autorização, documento de movimentação, comprovante final, custo e responsável interno. O objetivo é criar uma linha contínua entre geração e destinação final. 

 

Também é importante definir quem libera fornecedores, quem confere documentos antes da coleta, quem fecha os registros depois da destinação e quem analisa desvios. Sem responsabilidades claras, a gestão acaba pulverizada entre produção, almoxarifado, compras, segurança e administrativo. 

 

Coleta não é o fim da responsabilidade de gestão 

 

A Política Nacional de Resíduos Sólidos organiza responsabilidades e instrumentos para a gestão de resíduos, enquanto sistemas estaduais e demais requisitos detalham controles aplicáveis. Para a empresa, a conclusão prática é simples: terceirizar transporte e destinação não significa terceirizar o controle. 

 

Próximo passo — Você tem coleta e destinação contratadas, mas não consegue reconstruir com segurança toda a rastreabilidade dos resíduos? A F&B pode revisar o fluxo, documentos, fornecedores e controles e estruturar uma gestão de resíduos aderente à realidade da operação. 

 

Nota técnica: Conteúdo informativo. A aplicação de requisitos ambientais depende do enquadramento, da atividade, da localização, do órgão competente e das características de cada operação. 

 

Referências técnicas para revisão/publicação 

Lei nº 12.305/2010 - Política Nacional de Resíduos Sólidos 

CETESB - SIGOR Módulo MTR 

CETESB - Manual SIGOR MTR